São Basílio Magno, Pai e Doutor da Igreja, unanimemente reconhecido como um dos pilares do pensamento cristão, é uma figura marcante que nos permite percorrer, de modo imaginário, os caminhos da herança da Antiguidade tardia na atual Turquia, onde nasceu, pregou e faleceu.
Hoje, Cesareia da Capadócia, onde São Basílio nasceu em 329, chama-se Kayseri e é a capital da província homônima da Anatólia Central, com mais de um milhão de habitantes. O nome da cidade foi herdado dos tempos do Império Romano, assim como o nome Cesareia Marítima, na Palestina, mencionada várias vezes nos Atos dos Apóstolos. Durante o período de maior esplendor do Império Bizantino, essa cidade teve enorme importância. Após a morte do imperador Justiniano e as primeiras incursões árabes, ali se estabeleceu uma comunidade armênia; posteriormente, a cidade foi conquistada pelos seljúcidas e, finalmente, passou a fazer parte do Império Otomano cerca de meio século depois da tomada de Constantinopla, em 1453.
O jovem Basílio deixou Cesareia por muitos anos, primeiro para continuar seus estudos em Atenas e, posteriormente, porque se sentiu atraído pela vida ascética dos anacoretas, os eremitas seja do Egito, da Síria e da Mesopotâmia. Dessa forma, ele nos ajuda a acompanhar as origens do monaquismo, fenômeno que, de fato, nasceu no Oriente e sobre o qual possuímos uma rica tradição historiográfica, sobretudo da época bizantina. Desde as biografias dos santos monges, cartas e homilias, até normas disciplinares e decretos imperiais, pode-se afirmar que a vida monástica já era amplamente documentada por escrito desde os tempos dos anacoretas do século IV. O fenômeno da anacorese, isto é, a fuga e o abandono da própria terra ou da própria casa, porém, já aparece desde o século I e estava relacionado principalmente àqueles que, tendo empobrecido, não conseguiam pagar os impostos.
Se recorrermos à “Vida de Antônio”, considerado o pai do monaquismo, podemos afirmar que sua missão espiritual começou por volta do ano 270, depois que ele voluntariamente renunciou aos seus bens, sendo um rico proprietário de terras. Quando, pouco menos de cem anos depois, Basílio, seguindo o exemplo de sua mãe e de sua irmã, decidiu escolher a vida monástica, o monaquismo já havia chegado ao Ocidente, espalhando-se por muitas regiões do Império Romano e contando com dezenas de milhares de seguidores.
Podemos afirmar com segurança que as viagens de São Basílio ao Egito, à Síria e à Mesopotâmia o ajudaram a conhecer diferentes formas de ascetismo e a escolher entre elas aquela que considerava mais adequada. Naquele momento, o monaquismo já havia adquirido duas formas clássicas que permaneceriam durante todo o período bizantino: a forma eremítica, ou seja, a vida no deserto, e a forma comunitária.
A forma comunitária, conhecida como cenóbio, foi fundada no Egito por um contemporâneo um pouco mais jovem de Antônio, chamado Pacômio. Depois de ter servido no exército imperial e de ter recebido formação junto a um eremita, Pacômio decidiu adaptar a vida monástica ao modelo militar. Seu centro monástico no deserto de Tabena na margem direita do Nilo, na antiga região da Tebaida — foi concebido como uma espécie de cidade fortificada, claramente dividida em mosteiros, cada um sob o comando de um responsável.
Os monges eram agrupados em diferentes casas de acordo com suas atividades ou ofícios, dedicando muito tempo ao trabalho manual. Eram comuns entre eles o trabalho, a oração litúrgica e as refeições. Dava-se especial importância à obediência: os monges simples estavam submetidos ao responsável de sua casa, que, por sua vez, estava subordinado ao abade. Ninguém podia possuir qualquer bem pessoal, exceto um colchão de palha para dormir, duas túnicas sem mangas, um manto e alguns objetos indispensáveis.
A regra de Pacômio exerceu grande influência sobre o jovem Basílio, que também admirava o anacoretismo no espírito de Antônio. No entanto, considerava-o incompleto, porque nele não havia espaço suficiente para a manifestação do amor fraterno. Além disso, a vida solitária de Antônio tornava praticamente impossível qualquer correção por meio do exemplo ou do conselho. Por isso, Basílio escolheu o caminho da vida cenobítica, isto é, da vida em comunidade.
A comunidade que ele fundou às margens do rio Íris — atualmente chamado Yeshilırmak — perto de Annesi, no Ponto, então uma região romana que hoje corresponde à cidade de Amasya, no norte da Turquia, era um cenóbio de dimensões muito mais modestas em comparação com os mosteiros de Pacômio, que podiam chegar a reunir mais de mil habitantes. Basílio considerava essas comunidades grandes demais para garantir uma supervisão adequada e, a partir de então, as pequenas dimensões tornaram-se uma característica normal dos mosteiros cenobíticos durante todo o período bizantino.
Entretanto, antes de chegar a Constantinopla, o monaquismo precisou atravessar um período de confronto aberto com a Igreja, pois o monge, desde Santo Antônio, era essencialmente um cristão leigo que afirmava não apenas a possibilidade, mas a necessidade de buscar a salvação por conta própria, sem o auxílio do clero, da liturgia e dos Sacramentos. Nesse sentido, a obra de São Basílio recebeu reconhecimento universal como algo de enorme importância, precisamente porque conseguiu superar a divisão que havia se tornado evidente após a promulgação dos cânones do Concílio de Gangra.
Gangra, capital da província turca de mesmo nome, a noroeste de Ancara, sediou por volta do ano 340 um concílio destinado a discutir as práticas de Eustácio de Sebaste, que havia conquistado grande popularidade entre as comunidades monásticas.
De acordo com os cânones aprovados pelo concílio, do qual provavelmente participou também Gregório Nazianzeno, pode-se afirmar que, na base da vida monástica de Eustácio, estava a renúncia à vida matrimonial, pois ele estava convencido de que o casamento constituía um obstáculo para alcançar a salvação eterna. Os bispos reunidos em Gangra condenaram Eustácio — que, contudo, não foi declarado herege — e isso marcou um período de grande hostilidade da Igreja em relação ao monaquismo.
Foi justamente nesse momento que Basílio compreendeu a urgente necessidade de organizar a vida monástica e harmonizá-la com a vida da Igreja. De maneira mais ampla, percebeu a importância de repensar o significado, os objetivos e os métodos de realização de uma vida que pudesse ser verdadeiramente chamada de cristã. Essa transformação ocorreu pouco depois da consolidação do cristianismo como religião praticamente oficial do Império Romano.
E, nesse aspecto, Basílio pode ser comparado somente com seu contemporâneo Atanásio de Alexandria, também Pai e Doutor da Igreja, a quem tradicionalmente se atribui a autoria da obra “Vida de Antônio”. O livro é uma espécie de carta dirigida aos monges do Ocidente, para que pudessem seguir o ideal monástico e compreender mais profundamente as razões desse modo de vida.
A obra é um convite à reflexão sobre aquilo que torna uma pessoa um cristão perfeito; sobre como colocar em prática o mandamento evangélico: “Vende o que tens e terás um tesouro no céu”; e sobre como aproximar-se da simplicidade dos tempos apostólicos, quando “todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um” (At 2,44ss).
Graças a obras como a “Vida de Antônio” ou as “Regras Morais” de São Basílio, a Igreja também pôde compreender que a ascese monástica correspondia às exigências do Evangelho e que, idealmente, todo cristão poderia procurar viver de maneira semelhante àqueles primeiros fiéis reunidos em torno de Cristo e dos Apóstolos.
Por fim, em 593, o Papa Gregório Magno enviou um protesto oficial ao imperador Maurício porque este havia promulgado um decreto que proibia as pessoas sujeitas ao serviço militar de ingressarem em um mosteiro. Em um mundo no qual os mosteiros já existiam havia séculos, o Papa Gregório recorria à convicção geral de que a vida monástica estava ligada a uma forma particular de viver o cristianismo.
Ainda antes dele, durante os anos difíceis do declínio e da queda do Império Romano, as Regras de São Basílio permitiram que surgissem verdadeiros oásis de liberdade espiritual nos lugares mais distantes da Europa. Isso aconteceu por meio das comunidades fundadas por São Martinho de Tours, São Cesário de Arles e São Bento de Núrsia, entre tantos outros.
Assim, Basílio Magno pode ser considerado um representante do cristianismo oriental, do qual nasceu um ideal de vida ascética capaz de unir os mundos católico e ortodoxo e que, também sob uma perspectiva mais secular, continua sendo capaz de contribuir para a formação de valores morais relevantes para o pensamento ocidental contemporâneo, muitas vezes marcado pelo racionalismo.
Esse modelo de perfeição estava fundamentado na partilha dos bens, na renúncia individual às riquezas, no amor fraterno, na ajuda mútua e na oração comunitária.
Valerio Acri
Fonte: instoria.it
Tradução para o português: Pe. Estefano Wonsik, OSBM.
Em Ucraniano: osbm.info
BIBLIOGRAFIA:
Cyril Mango, A civilização bizantina, edição italiana organizada por Paolo Cesaretti, Laterza, Bari, 1991.
Paolo Rumiz, O fio infinito, Feltrinelli, Milão, 2019.

