“Para conduzir ainda mais profundamente o povo de Deus ao encontro vivo com Cristo” — Dom Sviatoslav apresenta orientações para a celebração dos Santos Mistérios

O Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sua Beatitude Sviatoslav, por meio de um Decreto de 1º de setembro de 2026, promulgou o documento “Cristo está entre nós. A celebração dos Santos Mistérios e de outras ações litúrgicas: orientações mistagógico-pastorais” e determinou que ele fosse divulgado para conhecimento e aplicação prática na vida da Igreja.

O documento foi preparado pelo Departamento de Teologia da Cúria Patriarcal da Igreja Greco-Católica Ucraniana, com a bênção do Chefe da Igreja e em resposta ao apelo da Sé Apostólica para adaptar os princípios teológicos e pastorais gerais relativos à validade e à correta celebração dos Santos Mistérios, utilizando a terminologia teológica própria da Igreja Greco-Católica Ucraniana e levando em consideração a autêntica tradição eclesial bizantino-ucraniana.

Ao mesmo tempo, Dom Sviatoslav ressalta especialmente no Decreto: “As Orientações não têm como objetivo introduzir novas normas ou tornar mais complexa a disciplina litúrgica vigente, mas procuram ajudar o clero e todos os fiéis a compreenderem mais profundamente o vínculo interior entre a fé da Igreja e a ação litúrgica”. Mais ainda, este documento constitui uma reflexão programática sobre a maneira como a Igreja Greco-Católica Ucraniana compreende a própria natureza da vida litúrgica e o lugar que nela ocupam Cristo, o ministro ordenado e cada fiel.

“O ensinamento da Igreja sobre os Santos Mistérios é expressão da experiência viva da comunhão com Cristo ressuscitado, que continua a agir em sua Igreja pela força do Espírito Santo. Essa experiência, ao longo dos séculos, é preservada, transmitida e novamente vivida na ação litúrgica”, afirma o documento.

Santos Mistérios — um encontro pessoal com Cristo vivo

“A Liturgia da Igreja não separa a palavra e a ação como elementos distintos e não relacionados entre si, mas os une organicamente em um único ato sacramental… aqui, o mistério pascal de Cristo, sua morte e ressurreição, torna-se experiência de um encontro vivo com o Senhor hoje”, afirma a seção dedicada à mistagogia dos Mistérios.

O documento enfatiza que os Santos Mistérios não podem ser compreendidos apenas como ritos exteriores, símbolos ou cumprimento de preceitos religiosos. Neles, Cristo realmente age, e a pessoa entra na experiência de sua salvação: “Os Mistérios são encontros reais com Deus, que transformam a pessoa e a conduzem à divinização, ultrapassando os limites dos símbolos e dos costumes de piedade”.

Essa compreensão também transforma o modo de olhar para a própria Liturgia. A palavra “liturgia” significa literalmente “obra comum” e não é uma oração privada do sacerdote. É a ação de todo o Corpo de Cristo, na qual cada membro da Igreja é chamado a participar de maneira consciente e ativa.

“A Liturgia é a ação comum de todo o povo de Deus”, ressaltam os autores das Orientações.

Ao mesmo tempo, o documento adverte que a participação ativa não significa apenas o desempenho de determinadas funções exteriores. Seu fundamento é a experiência interior daquilo que acontece na celebração litúrgica: o encontro vivo com Cristo.

A Igreja — lugar do encontro entre Deus e o ser humano

Um dos principais destaques do documento é a compreensão da própria Igreja como “ícone da Santíssima Trindade” — Mistério da presença de Cristo no mundo.

Os autores das Orientações ressaltam que a Igreja é o Corpo vivo de Cristo. Nela, “Cristo continua a ensinar, curar, perdoar e dar vida na Igreja; por isso, a Igreja é o Mistério de sua presença, lugar do encontro entre Deus e o ser humano”, recordam, citando o Catecismo da Igreja Greco-Católica Ucraniana “Cristo — nossa Páscoa”.

É precisamente por meio dos Santos Mistérios que essa presença de Cristo se torna eficaz na vida dos fiéis. Por isso, os Mistérios não são ritos exteriores que possam ser realizados mecanicamente, mas expressão da vida orgânica da própria Igreja. Dessa forma, a vida da Igreja é chamada a ser lugar de unidade na diversidade entre as pessoas e Deus.

Os Santos Mistérios nos introduzem em uma nova vida com Cristo

As Orientações Mistagógico-Pastorais ressaltam que os Santos Mistérios não são apenas sinais ou símbolos de uma realidade invisível, mas participação na própria vida nova. Mais ainda, por meio dos Mistérios, Cristo age em sua Igreja pela força do Espírito Santo e transforma a vida dos fiéis em comunhão com Deus. Essa transformação não é simplesmente uma obrigação moral, mas uma mudança ontológica, isto é, os Mistérios transformam o próprio modo de existir da pessoa, tornando-a participante da vida de Cristo e membro da Igreja.

“Os Mistérios não são apenas meios para receber a ‘graça’; eles introduzem a pessoa no seu modo de existir”, afirma a seção dedicada aos Mistérios como participação na nova vida em Cristo.

Cada Mistério possui uma dimensão pascal: “Nos Mistérios, a Igreja não apenas recorda ou celebra a Páscoa de Cristo como um acontecimento passado — ela a vive cada vez como uma realidade viva e presente… e isso é a chave para compreender sua essência”.

Por isso, cada Mistério, à sua maneira, introduz a pessoa no mistério pascal de Cristo: no Batismo, tornamo-nos membros da Igreja, sepultados e ressuscitados com Cristo, para sermos libertados do pecado, nascer para uma vida nova, vencer a morte e participar da vida divina; na Crisma, recebemos o dom do Espírito Santo e a participação no serviço de Cristo; na Confissão, passamos da morte espiritual para a vida e para a reconciliação com Deus; e, na Eucaristia, já agora nos tornamos participantes de seu Corpo e Sangue no sentido mais real — não apenas simbolicamente, mas substancialmente.

O Sacerdócio é participação no sacerdócio supremo e pascal de Cristo; o Matrimônio é imagem de seu amor pascal e sacrificial pela Igreja; e a Unção dos Enfermos é participação em sua vitória sobre a doença, o sofrimento e a morte.

“Os Mistérios da Igreja são promessa do Reino futuro, antecipação da eternidade”, observa o documento.

Ao concluir, as Orientações voltam a atenção para o essencial: no centro da vida litúrgica da Igreja não está o rito em si mesmo, mas a presença e a ação de Cristo ressuscitado: “O ministério sacerdotal é compreendido como presença icônica de Cristo, que está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas”.

Estas Orientações são dirigidas a todos: aos bispos, aos ministros ordenados e a todos aqueles aos quais foi confiado o serviço litúrgico e catequético na Igreja Greco-Católica Ucraniana. Dom Sviatoslav determinou que sejam utilizadas como referência teológico-pastoral para a celebração adequada, reverente e fiel dos Santos Mistérios e de outras ações litúrgicas, de acordo com os livros litúrgicos aprovados e as normas do direito canônico da Igreja.

“Que estas Orientações ajudem todos aqueles que servem na Igreja de Deus a conhecer ainda mais profundamente a inesgotável riqueza das ações litúrgicas que celebramos e, conservando a fidelidade à Tradição recebida, conduzir o povo de Deus ao encontro vivo com Cristo, que, no Espírito Santo, santifica, transforma e une sua Igreja”, desejou o Primaz da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

Departamento de Informação da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

Tradução e destaques próprios.

Pe. Estefano Wonsik, OSBM.

Original em ucraniano: https://ugcc.ua/data/shchob-shche-glybshe-vesty-bozhyy-narod-do-zhyvoy-zustrichi-iz-hrystom-blazhennishyy-svyatoslav-progolosyv-nastanovy-shchodo-zvershennya-svyatyh-taynstv-9258/

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